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Porto Alegre, domingo, 5 de setembro de 2010
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O que são e qual a importância dos chamados “focos ecogênicos”, ou “golf balls”, ou “bolas de golfe” no coração fetal às vezes descritos na ultra-sonografia?
 
Freqüentemente a gestante vai fazer sua ultra-sonografia obstétrica de rotina e é surpreendida com a descrição de um achado que a deixa em pânico, assim como o pai e o resto da família: foi detectado um “golf ball” no coração do bebê! A busca de um esclarecimento urgente é iniciada, muitas vezes até através da Internet, e habitualmente a tranqüilização desejada não é obtida da forma como ela gostaria, já que uma enorme massa de informações já foi veiculada ao longo dos últimos anos na literatura internacional, com relatos conflitantes e heterogêneos.
O ponto de partida fundamental, e que deve permanecer na mente da família, é que este é um achado benigno, sem significado clínico ou funcional, e que não acarreta risco nenhum para o bebê!
Mas, afinal, o que são estes “golf balls”? O que ocorre é que o tecido de sustentação do coração fetal (tecido conjuntivo), que funciona como um “esqueleto fibroso” que suporta o músculo cardíaco, ao se desenvolver, durante o período intra-uterino, muitas vezes se torna mais brilhante, pela maior deposição de cálcio. Este é um fenômeno inteiramente normal e que não compromete a função do coração. Quando estes depósitos de cálcio são localizados nas cordoalhas, que são as pequenas “cordinhas” que sustentam as válvulas mitral e tricúspide, e que são muito finas, eles se tornam particularmente visíveis à ultra-sonografia. Muito freqüentemente, existem cordoalhas acessórias, não ligadas às válvulas, e que não têm nem função nem importância alguma, mas onde essa mineralização (depósito de cálcio) é comum, e quando a imagem ecográfica é obtida transversalmente, dá a impressão de uma ou mais bolinhas de golfe dentro do ventrículo esquerdo (mais freqüente) ou do ventrículo direito. Ao ecocardiograma fetal, quando este é um achado isolado, muitas vezes esses focos ecogênicos nem são descritos pelo cardiologista, para não trazer preocupação desnecessária.
Algumas doenças cardíacas fetais, especialmente aquelas que mostram obstrução à saída do fluxo da aorta, podem se acompanhar de depósitos de cálcio aumentado ao longo das paredes internas do coração, o mesmo ocorrendo quando há algum processo inflamatório que atinja o coração do bebê, mas o aspecto desses depósitos é inteiramente diverso dos “golf balls”, porque são difusos e não focais. Esta diferença é muito facilmente verificada no ecocardiograma fetal.
Mas por que houve tanta preocupação com este achado, e que gerou tanta ansiedade injustificada no mundo todo? O que aconteceu foi que alguns trabalhos iniciais, realizados na Inglaterra e outros locais, tentaram associar o achado de “golf balls” no coração fetal com risco aumentado de doenças cromossômicas, como o mongolismo (síndrome de Down). Isto porque  foi verificado que os bebês com síndrome de Down freqüentemente tinham esses  focos ecogênicos nos seus exames ecográficos. Entretanto, um enorme número de estudos posteriores demonstrou claramente que a freqüência de “golf balls”, na população geral, era igual à demonstrada nos fetos com síndrome de Down, e que não havia nenhuma razão para associar focos ecogênicos com doenças cromossômicas.
Assim, é vital que a gestante cuja ultra-sonografia obstétrica mostre “golf balls” e que tenha realizado um ecocardiograma fetal normal pode ficar inteiramente tranqüila no que se refere à certeza de que seu bebê não tem chance maior de síndrome de Down do que qualquer outro e de que este achado não vai acarretar qualquer risco adicional.
 
 
 
 
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