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Porto Alegre, domingo, 5 de setembro de 2010
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Quais as noções de anatomia do coração do bebê que os pais devem saber?
 
É importante que os pais compreendam um pouco da linguagem médica que trata das estruturas do coração fetal, para que seja possível esclarecer pontos de dúvidas, acompanhar os exames de imagem e até discutir eventuais problemas relacionados com a forma e a função cardíacas do bebê.
O coração tem o tamanho aproximado de um caroço de azeitona ao redor de 18 semanas, e obviamente cresce de maneira muito importante durante o período gestacional, comparando-se ao tamanho de uma fotografia 2x3 em torno de 25 semanas. Grosseiramente, ele tem um diâmetro semelhante ao do punho fechado do bebê. O coração tem quatro cavidades, com características anatômicas e funcionais distintas (FIGURA 7). Na parte superior estão os dois átrios (ou aurículas), o átrio direito e o átrio esquerdo. Na porção inferior, conectados aos respectivos átrios, estão os dois ventrículos, o direito e o esquerdo. Os átrios são as câmaras cardíacas que recebem o sangue das veias (do corpo e do pulmão), e os ventrículos são as cavidades que bombeiam o sangue pelas artérias (para o pulmão e para o corpo). Os átrios estão separados por uma parede fina, com um grande orifício no meio, por onde o sangue deve circular durante a vida fetal. Este orifício, chamado forame oval, por ter forma de ovo, fechará após o nascimento. Durante a vida intra-uterina, na borda do forame oval existe uma estrutura que se abaula para dentro do átrio esquerdo a cada ciclo cardíaco, chamada septo primeiro ou septum primum, e que depois será a responsável pelo fechamento do orifício após o nascimento. Os ventrículos, por sua vez, estão separados entre si por uma parede muscular que se chama septo interventricular. Em condições normais, não há comunicação entre os ventrículos através do septo interventricular. Entre os átrios e os respectivos ventrículos, existem duas válvulas, que são estruturas que se abrem para deixar o sangue fluir dos átrios para os ventrículos quando o coração se relaxa (fase do ciclo cardíaco chamada de diástole) e se fecham para não deixar o sangue refluir dos ventrículos para os átrios quando o coração se contrai (fase do ciclo cardíaco denominada de sístole). A válvula do lado direito, entre o átrio direito e o ventrículo direito, chama-se válvula tricúspide (porque tem 3 folhetos, ou cúspides) e a válvula do lado esquerdo, entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, é chamada de válvula mitral (porque tem a forma de uma mitra, com 2 folhetos ou cúspides). Os dois átrios têm tamanhos semelhantes entre si, não havendo preponderância de um sobre o outro no coração normal. Os dois ventrículos são também de tamanhos balanceados, e mantêm essa proporcionalidade durante toda a gestação. No período bem próximo ao nascimento, o ventrículo direito pode ser ligeiramente maior do que o esquerdo. No átrio direito drenam as veias cavas superior e inferior, que trazem o sangue das porções superior e inferior do corpo para o coração, e no átrio esquerdo drenam as quatro veias pulmonares, que trazem o sangue dos pulmões para o coração. Do ventrículo direito origina-se um grande vaso, que leva o sangue para os pulmões, e que por isso se bifurca em um ramo para cada pulmão. Este vaso é chamado de artéria pulmonar e seus ramos denominam-se, respectivamente,  artéria pulmonar direita e artéria pulmonar esquerda. Entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar situa-se a válvula pulmonar, que deixa o sangue ser ejetado para a artéria pulmonar na sístole e não permite refluxo para o ventrículo direito na diástole. Do ventrículo esquerdo origina-se uma grande artéria, chamada aorta, que vai levar o sangue do coração para o corpo, distribuído em artérias cada vez menores até a periferia. Entre a aorta e o ventrículo esquerdo, existe a válvula aórtica, que se abre na sístole para que o sangue do ventrículo esquerdo seja ejetado na aorta e se fecha na diástole para que não haja refluxo da aorta para o ventrículo esquerdo na diástole. A artéria pulmonar e a aorta apresentam, caracteristicamente, orientação oposta uma em relação à outra, de forma que elas se cruzam após sua saída do coração (FIGURA 8). Uma estrutura vascular muito importante, que está sempre presente e amplamente aberta durante a vida fetal, e que se fecha após o nascimento, é o canal arterial, ou ducto arterioso. Este vaso sai da artéria pulmonar, próximo à origem da artéria pulmonar esquerda, e se dirige para a aorta , unindo-se a ela na sua porção descendente, ou seja,  onde a aorta faz uma curva para baixo (arco aórtico) após originar os vasos que vão para a cabeça e os braços. O ducto arterioso leva para a aorta a parte do sangue que sai pela artéria pulmonar e que não chega aos pulmões que, como veremos adiante, têm seus vasos “fechados”, muito finos, enquanto não existe ar em seu interior, o que só vai ocorrer após o nascimento (FIGURA 9).
 
 
 
 
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