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Qual é a probabilidade de ser encontrada alguma anormalidade cardíaca no bebê através da ecocardiografia fetal?
Aqui cabe a análise cuidadosa de alguns números, para que se possa avaliar a importância de buscar, como rotina, a detecção de problemas cardíacos fetais:
1. toda a literatura médica, há muitos anos, descreve índices de cardiopatias da ordem de 1% de todos os recém-nascidos vivos; 2. estudos realizados em abortamentos espontâneos ocorridos no primeiro trimestre de gestação revelaram percentuais de até 35% de anomalias cardíacas nos conceptos; 3. dados de necrópsia de natimortos mostraram que 10% deles apresentavam anormalidades cardíacas; 4. estudo realizado em nosso meio, em cerca de 4000 gestantes de baixo risco, utilizando equipamentos simples de ultra-som e examinadores com relativamente pouca experiência, demonstraram uma taxa de prevalência de cardiopatias de aproximadamente 12 por 1000; 5. nos últimos anos, têm sido descritas inúmeras anormalidades da função, do ritmo e das paredes cardíacas fetais que antes não faziam parte das estatísticas.
Esses dados, somados à experiência com a ecocardiografia pré-natal acumulada ao longo dos últimos 18 anos de prática na especialidade, permitem afirmar que a possibilidade de ser detectada alguma cardiopatia do bebê ao ecocardiograma fetal, incluindo anormalidades da forma, da função, do ritmo ou das paredes cardíacas é da ordem de 5%, ou seja, de 50 em cada 1000 gestações (Figura 4). Dito de outra maneira, pode-se tranqüilizar a gestante com a expectativa de que seu exame tem 95% de chances de ser normal.
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